A tenente Izadora Ledur de Souza Dechamps, acusada de tortura contra o aluno soldado Rodrigo Claro, de 21 anos, foi promovida ao posto de capitã do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso. O caso de Rodrigo, ocorrido em 2016 durante um treinamento na Lagoa Trevisan, ficou conhecido após denúncias de que ele teria sido submetido a diversos “caldos” (afogamentos simulados) por Ledur, que atuava como instrutora. O jovem faleceu pouco depois do episódio.
À época, a Justiça descartou a acusação de tortura e condenou Izadora Ledur por maus-tratos. No entanto, em 2022, o processo foi arquivado devido à prescrição da pena, já que mais de quatro anos haviam transcorrido entre a denúncia, feita em 27 de julho de 2017, e a sentença, publicada em 17 de agosto de 2022.
A promoção de Ledur ao posto de capitã gerou polêmica, especialmente por conta das exigências do chamado “Conceito Moral”, previsto no artigo 24 da Lei 10.076/2014, que define os atributos de honra, dignidade, honestidade e seriedade que os militares devem demonstrar para serem promovidos. Segundo denúncias recebidas pela redação, muitos militares em situações menos graves enfrentaram dificuldades para alcançar o posto de capitão por não atenderem a esse critério.
Fontes apontam que a promoção de Ledur pode ter sido influenciada por sua ligação familiar: ela é filha do coronel da Polícia Militar Pedro Sidney Figueiredo. O ato que oficializou sua promoção foi assinado pelo governador Mauro Mendes e publicado no Diário Oficial do Estado, gerando questionamentos sobre a aplicação uniforme do “Conceito Moral” no Corpo de Bombeiros e na Polícia Militar de Mato Grosso.
O caso de Izadora Ledur reacende o debate sobre a ética e a imparcialidade nos critérios de ascensão dentro das forças de segurança do estado, evidenciando possíveis disparidades de tratamento em situações semelhantes.


















