Em pleno recesso parlamentar, um grupo de bolsonaristas se reuniu na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (22) para, nas palavras dos organizadores, “falar em nome” do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente impedido de se manifestar publicamente devido a restrições judiciais. O senador Wellington Fagundes (PL-MT) foi um dos destaques do evento, que chamou atenção não só pelo tom de resistência política, mas também por um curioso cenário: a bandeira dos Estados Unidos servindo como pano de fundo.
“O bolsonarismo está vivo e pulsando em cada canto do país”, declarou Fagundes, diante de apoiadores que, em vez de exibir o verde e amarelo tradicional do movimento, optaram por ostentar a bandeira americana – com suas 50 estrelas e listras vermelhas e brancas. A escolha do símbolo estrangeiro em um ato que se propõe “patriótico” gerou críticas nas redes sociais, onde usuários questionaram a contradição de um discurso nacionalista apoiado por ícones de outra nação.
O encontro foi organizado por parlamentares alinhados a Bolsonaro, que, desde que teve suas contas nas redes sociais suspensas e enfrenta limitações para conceder entrevistas, tem visto aliados assumirem o papel de porta-vozes informais. A reunião desta terça reforçou a estratégia de manter a mobilização da base mesmo durante o período de recesso, quando as atividades legislativas estão oficialmente paralisadas.
Discurso de resistência, símbolos questionados
Além de Fagundes, outros políticos presentes no evento repetiram o mantra de que o bolsonarismo “não acabou” e segue forte na política nacional. No entanto, a ausência de símbolos brasileiros no palco não passou despercebida. Para críticos, a cena ilustra uma contradição frequente no movimento: o discurso de amor à pátria muitas vezes acompanhado de uma admiração explícita por figuras e elementos estrangeiros – no caso, a bandeira dos EUA, país frequentemente citado como modelo por bolsonaristas.
Enquanto isso, o ex-presidente Bolsonaro segue sob restrições judiciais, incluindo a proibição de postagens em redes sociais e declarações à imprensa sem autorização. Seus aliados, no entanto, garantem que a voz do bolsonarismo não será silenciada. Resta saber se a estratégia de substituir o verde e amarelo pelo vermelho, branco e azul ressoará da forma esperada entre os apoiadores.
Repercussão
Nas redes, a imagem da bandeira americana em um evento bolsonarista virou alvo de memes e debates. “Patriotismo seletivo: amam o Brasil, mas só quando convém”, escreveu um usuário no X (antigo Twitter). Outros defenderam a liberdade de escolha, argumentando que a bandeira representa “valores de liberdade”. Enquanto isso, a oposição aproveitou para reforçar críticas: “Se o bolsonarismo está tão vivo, por que não usa a bandeira do Brasil?”, questionou uma governista.
O fato é que, recesso ou não, a polarização política segue ativa – e, desta vez, com um toque de ironia histórica: o mesmo grupo que já acusou adversários de “submissão a potências estrangeiras” agora se reúne sob as cores de outra nação.

















