O ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSB), elevou o tom das acusações contra a gestão do atual governador Mauro Mendes (União), denunciando um suposto esquema de desvio de R$ 308 milhões dos cofres públicos, envolvendo um acordo sigiloso com a operadora de telefonia Oi S/A. Em uma série de vídeos e declarações, Taques detalha o que ele chama de “facção criminosa” de “inhos” e aponta o destino final do dinheiro para fundos de investimento ligados a familiares e aliados políticos do governador.
O Acordo Questionável e a Falha Processual
A denúncia de Taques se concentra em um acordo judicial que resultou no pagamento de R$ 308 milhões pelo Governo de Mato Grosso à Oi S/A. O ex-governador alega que o Estado havia vencido uma ação contra a operadora em 2018, mas que a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) não contestou uma Ação Rescisória ajuizada pela Oi fora do prazo legal, em 2022, permitindo que o processo fosse revertido.
“A Oi S/A só ajuizou a rescisória fora do prazo. Já havia passados dois dias do prazo legal e os documentos estão comigo e estão publicados em minhas mídias sociais. O que o Estado de Mato Grosso fez? Não recorreu dos fatos de que a Oi S/A perdeu seu prazo de recurso em 2022. O Estado de Mato Grosso, através da Procuradoria Geral do Estado, que tem o dever de defender o Estado e seus bens, ficou quietinho”.
Além da falha processual, Taques questiona a forma de pagamento, que teria sido realizada sem a observância da ordem cronológica de precatórios, o que, segundo ele, configura um “acordo ilegal”.
O Rastreamento do Dinheiro e os “Inhos”
O ponto central da denúncia é o rastreamento dos R$ 308 milhões. Taques afirma ter provas, protocoladas na Procuradoria-Geral da República (PGR), de que o dinheiro, após sair do sistema de pagamento do Estado (FIPLAN), foi direcionado para fundos de investimento específicos, que, por sua vez, teriam ligações com a família e o círculo político de Mauro Mendes .
O ex-governador detalha o suposto fluxo:
| Origem | Destino Inicial | Valor (R$) | Destino Final (Pessoas Jurídicas) |
| FIPLAN (Sistema de Pagamento do Estado) | Fundo Lote World | 154 milhões | Ligadas a Luizinho Mendes e Berinho [1] |
| FIPLAN (Sistema de Pagamento do Estado) | Fundo Royal | 154 milhões | Ligadas a Luizinho Mendes e Berinho [1] |
| Total | 308 milhões |
Taques aponta que os fundos Royal Capital e Lotte Word são administrados por gestores ligados à Acura Capital, que também controla o fundo Green Lake FI, investidor direto de empresas pertencentes a familiares de Mauro Mendes.
O ex-governador utiliza a metáfora da Matrioska (boneca russa, uma dentro da outra) para descrever o esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, que teria como destinatários finais os “inhos”: Luizinho (filho de Mauro Mendes), Berinho (genro de Mauro Carvalho, suplente de senador e sócio de Luizinho), Fábio Garcia (Deputado Federal e Chefe da Casa Civil) e Cidinho (sócio oculto).
Repercussão e contraponto do Governo
A denúncia, também encampada pela deputada estadual Janaina Riva (MDB), ganhou proporções federais com o envio de representações ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Tribunal de Contas do Estado (TCE/MT), Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público Estadual (MPE) e, notavelmente, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regula o mercado de capitais.
Em nota oficial, o Governo de Mato Grosso contestou as acusações, alegando que a dívida original com a Oi S/A era superior a R$ 700 milhões e que o pagamento de R$ 308 milhões representou uma economia de R$ 392 milhões aos cofres públicos. O governo também interpôs uma ação judicial contra Pedro Taques, solicitando que ele apresente as provas que afirma possuir.
O caso, que o ex-governador promete continuar a detalhar em novos capítulos, coloca em xeque a transparência e a legalidade de uma das maiores transações financeiras recentes do Estado de Mato Grosso, e agora está sob análise de diversas instâncias de controle e fiscalização.




















