O candidato ao Governo de Mato Grosso Wellington Fagundes (PL) denunciou nesta segunda-feira (14) a concentração de cerca de R$ 15 bilhões em incentivos fiscais nas mãos de aproximadamente 30 grandes grupos econômicos. Em entrevista, Wellington afirmou que pretende rever o atual modelo e descentralizar os investimentos para fazer a riqueza produzida pelo Estado chegar ao interior, aos pequenos empresários e à população.
“O incentivo fiscal no Mato Grosso hoje é algo escandaloso. Os incentivos fiscais chegam à ordem de R$ 15 bilhões. A maior parte desse recurso fica na mão de 30, só 30 empresários”, afirmou Wellington. Segundo ele, enquanto grandes grupos recebem bilhões em benefícios, pequenos e médios empresários, produtores rurais e mulheres empreendedoras enfrentam dificuldades para conseguir crédito e incentivos. “O pequeno em Mato Grosso foi largado a quinto plano. O grande tem tudo”, criticou.
Wellington também dimensionou o que os R$ 15 bilhões representam diante das necessidades da população. Segundo o candidato, o valor seria suficiente para construir cerca de 150 mil casas, diante de um déficit habitacional que ele estima em 115 mil moradias. O mesmo montante, afirmou, permitiria construir aproximadamente 70 hospitais, além de financiar milhares de quilômetros de estradas e ampliar investimentos em serviços públicos.
A solução defendida pelo candidato é mudar os critérios para concessão dos benefícios. Empresas que recebem incentivos deverão apresentar contrapartidas para Mato Grosso, com industrialização, geração de empregos e retorno socioeconômico e ambiental. Wellington também quer ampliar o acesso de pequenos e médios negócios aos incentivos e ao crédito, incluindo produtores, comerciantes e mulheres empreendedoras.
“Quem tem incentivo fiscal tem que ter a compensação socioeconômica e ambiental”, disse. Wellington argumenta que Mato Grosso não pode continuar apenas produzindo e exportando matéria-prima. A proposta é agregar valor dentro do próprio Estado, instalar indústrias nas regiões produtoras e transformar a riqueza do agronegócio em emprego e renda para os municípios.
Essa mudança será acompanhada pela descentralização do Governo do Estado. Wellington propõe estruturas regionais para aproximar as decisões do Executivo das diferentes regiões de Mato Grosso. Araguaia, Oeste, Norte, Sudeste e demais polos passariam a ter maior presença do governo, com ações voltadas à saúde, educação, ciência, tecnologia e desenvolvimento econômico.
O candidato defende ainda que a industrialização deixe de ficar concentrada em poucos pontos. Para Wellington, regiões como Sinop, Rondonópolis, Barra do Garças, Confresa e Cáceres devem participar diretamente da construção das políticas públicas. Na Baixada Cuiabana, a estratégia inclui recuperar a atividade econômica de Cuiabá e Várzea Grande, estimular a agricultura familiar, pequenos negócios e devolver protagonismo industrial à região.
“Eu quero fazer um governo humano. Um governo para cuidar daqueles que mais precisam, estender a mão lá onde o Estado está tão longe”, concluiu Wellington.




















