Relatórios indicam que vereador mantinha proximidade com a cúpula política de Várzea Grande antes do rompimento; parlamentar também relatou ameaças, retaliações e pressões após divergências internas.

Caio Cordeiro rompe com grupo político após desacordo em articulações envolvendo TV Cidade Verde, aponta relatório do Gaeco

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O vereador Caio Cordeiro (Novo), que durante meses manteve alinhamento político com o presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), e proximidade com a gestão da prefeita Flávia Moretti, passou a adotar uma postura de oposição após um desacordo envolvendo articulações comerciais e institucionais com a TV Cidade Verde. A mudança de posicionamento é apontada em relatórios técnicos elaborados pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).

Segundo os documentos, o parlamentar atuou como intermediário em conversas que buscavam viabilizar uma possível parceria entre representantes da Câmara, da Prefeitura e da emissora de televisão. As tratativas envolviam uma advogada identificada como Michele e um diretor mencionado nos registros como Dennis.

As negociações, entretanto, não avançaram. Na sequência, os investigadores identificaram um distanciamento político entre Caio Cordeiro e o grupo com o qual mantinha proximidade, seguido pelo fortalecimento de sua atuação oposicionista.

O episódio evidencia uma ruptura nos bastidores da política várzea-grandense, marcada por divergências que teriam alterado a relação do vereador com antigos aliados. Embora os relatórios apontem uma relação temporal entre o insucesso das tratativas e a mudança de posicionamento, essa sequência, por si só, não comprova que o desacordo tenha sido a única motivação para o rompimento.

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De aliado a opositor

De acordo com o material analisado pelo Gaeco, Caio Cordeiro manteve apoio político ao presidente da Câmara até aproximadamente a metade de 2026. Depois do afastamento, passou a cobrar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis irregularidades relacionadas à contratação e à execução dos serviços de transporte coletivo prestados pela empresa União Transportes e Turismo Ltda.

A mudança de postura colocou o vereador em rota de colisão com integrantes do grupo político ao qual esteve ligado anteriormente.

Vereador relata ameaças e retaliações

Além das articulações envolvendo a emissora, Caio Cordeiro relatou ao Gaeco que teria sofrido retaliações políticas após se posicionar contra a reeleição de Wanderley Cerqueira à presidência da Câmara.

Segundo seu depoimento, servidores indicados por seu gabinete foram exonerados. O parlamentar também afirmou ter tido uma mochila furtada de seu veículo, contendo um notebook e documentos relacionados à fiscalização do transporte público.

Ainda conforme o relato, dias depois do furto, ele teria recebido mensagens intimidatórias acompanhadas de imagens de armas de fogo, com exigências para que retirasse o boletim de ocorrência.

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Caio foi um dos parlamentares que levaram aos investigadores informações sobre um suposto esquema de pagamento de vantagens indevidas na Câmara, além de alegações envolvendo ameaças de divulgação de vídeos de vereadores recebendo dinheiro em espécie. As suspeitas dependem da apuração dos órgãos competentes.

Bastidores sob investigação

Para o Gaeco, os arquivos extraídos de dispositivos eletrônicos entregues ou vinculados ao vereador revelam um cenário de disputas políticas, acusações de pressão, supostas ofertas de vantagens e negociações para a formação de grupos de poder.

Mais do que a mudança de posição de um vereador, os registros colocam em evidência as relações construídas nos bastidores de Várzea Grande e os desdobramentos de desacordos que podem redefinir alianças no Legislativo municipal.

Até que as investigações avancem, as informações descritas nos relatórios devem ser tratadas como elementos de apuração, e não como comprovação definitiva de irregularidades ou de responsabilidades individuais.

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