A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu, na manhã desta terça-feira (20), Adriano Henrique Escame de Oliveira no âmbito da Operação Déjà Vu, deflagrada para investigar um suposto esquema de fraudes contra a Procuradoria-Geral da Prefeitura de Cuiabá. A operação, conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), apura indícios de inserção de dados falsos em sistemas informatizados, além de crimes correlatos, como corrupção e associação criminosa.
Conforme as investigações, a ação teria ocorrido por meio do uso indevido de credenciais de acesso e da manipulação de rotinas internas do sistema da Procuradoria. As fraudes investigadas, que teriam impacto direto na arrecadação municipal e na regularidade dos registros administrativos, são atribuídas a um grupo de ex-servidores e outros envolvidos que atuavam para benefício próprio e de terceiros.
Adriano Escame de Oliveira, preso hoje, foi assessor parlamentar da Câmara Municipal de Cuiabá em 2025, nomeado em maio daquele ano pela presidente da Casa, vereadora Paula Calil, e exonerado em agosto. No exercício da função, ele atuava como assessor parlamentar externo, lotado no gabinete do vereador Marcrean Santos, segundo registros oficiais publicados pela Gazeta Municipal.
A Operação Déjà Vu cumpre 43 ordens judiciais, incluindo prisões cautelares, mandados de busca e apreensão, medidas cautelares diversas da prisão e bloqueios de valores que somam quase meio milhão de reais em bens e recursos ligados aos investigados. A investigação teve início em abril de 2025, a partir de uma notícia de fato formalizada pela própria Procuradoria do Município, após auditorias internas identificarem cancelamentos indevidos de débitos tributários no sistema informatizado.
Além de Escame de Oliveira, outros ex-servidores, como Matheus Henrique do Nascimento Pereira e Jefferson Antônio da Silva — este último apontado como suposto líder do esquema e atualmente foragido — também são alvos da operação. A apuração sugere que o grupo teria manipulado registros e facilitado o cancelamento irregular de débitos mediante vantagens indevidas, gerando um prejuízo estimado superior a R$ 2,7 milhões aos cofres públicos municipais.
As investigações prosseguem, com a Polícia Civil enfatizando a importância da preservação de provas digitais e a necessidade de aprofundamento pericial para identificar eventuais responsáveis e o total alcance das irregularidades. A administração municipal afirmou que não há indícios de participação de agentes ligados à gestão atual e que colabora integralmente com as autoridades competentes para o esclarecimento dos fatos.






















