Enquanto o debate sobre a nomenclatura avança, o hospital, já equipado e com contrato de execução concluído em 100%, segue de portas fechadas.

Hospital Central: O retrato do abandono e da manipulação política

Rogério Florentino

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Hospital Central de Mato Grosso: Uma Obra Pronta, Mas Ainda Fechada

Por mais de três décadas, o Hospital Central de Mato Grosso simbolizou o abandono e a inércia administrativa. A estrutura inacabada tornou-se um marco das promessas não cumpridas, até que o governador Mauro Mendes (União) assumiu o compromisso de concluir a obra. Contudo, ao que tudo indica, a entrega do hospital segue emperrada em discursos, publicidade e estratégias políticas.

Nesta quinta-feira (27), o governador abordou um tema protocolar diante da urgência da situação: a escolha do nome da unidade. Mendes reafirmou sua preferência por um médico de relevância social, como o doutor Benedito Figueiredo, mas transferiu a decisão final para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o que já desencadeou disputas entre blocos políticos. Enquanto o debate sobre a nomenclatura avança, o hospital, já equipado e com contrato de execução concluído em 100%, segue de portas fechadas.

A situação levanta questões cruciais: se o contrato com o consórcio responsável já não permite aditivos, como o governador justifica as “novas mudanças” que ainda estariam em curso? A estrutura está pronta, os equipamentos foram instalados, os recursos públicos foram aplicados, mas o atendimento à população segue inexistente. Qual a razão para essa demora?

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A resposta parece residir menos na engenharia civil e mais na estratégia política. Entregar o maior hospital do estado às vésperas do fim do mandato pode não ser conveniente para certos interesses. Melhor, talvez, adiar a inauguração para um eventual sucessor, enquanto o governo atual investe em publicidade, narrativas e discursos eleitoreiros. A impressão é de que fazer política com a saúde tem mais valor do que garantir saúde com a política.

A população de Cuiabá e de Mato Grosso não precisa de mais debates sobre nomes, cerimônias e estratégias publicitárias. Precisa de leitos, atendimento e dignidade. Cada dia de atraso na abertura do hospital representa sofrimento real: mães sem atendimento, filas de espera para cirurgias, UTIs superlotadas e diagnósticos tardios. O Hospital Central não é um troféu político, é uma necessidade urgente.

Respeite o povo de Mato Grosso, governador. Entregue a obra.

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