Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, o deputado estadual Lúdio Cabral (PT) apresentou um requerimento nesta quarta-feira (17.04) solicitando explicações do governador Mauro Mendes (União) e do secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Cesar Alberto Miranda, a respeito da aprovação de um financiamento polêmico. O beneficiário é o pecuarista Claudecy Oliveira Lemes, recentemente preso por acusações de desmate químico abrangendo uma vasta área de mais de 80 mil hectares no Pantanal, envolvendo 11 propriedades.
O deputado expressou preocupação com o fato de o Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico, sob a presidência do secretário Miranda e com a participação de membros da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema-MT), ter permitido o acesso ao Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste para um indivíduo reincidente em crimes ambientais. “Como o Conselho pode autorizar tal financiamento a uma pessoa com histórico de desrespeito ao meio ambiente?”, questionou Cabral durante a sessão.
Lúdio criticou a aparente contradição nas ações do governador Mauro Mendes, que tem se manifestado contra o desmatamento ilegal, mas aprovou o financiamento para Lemes, conhecido por seu histórico de infrações ambientais. “É incoerente e inaceitável que financiamentos públicos favoreçam indivíduos com práticas tão prejudiciais ao nosso ecossistema”, declarou o deputado.
Além do requerimento, Lúdio Cabral também apresentou dois projetos de lei visando reforçar a legislação ambiental. O primeiro propõe a proibição de concessão de incentivos fiscais a indivíduos ou empresas condenadas por crimes ambientais, enquanto o segundo veta a possibilidade de obtenção de financiamentos em órgãos de crédito público estadual para os mesmos infratores.
O parlamentar solicitou ainda regime de urgência urgentíssima para dois outros projetos de sua autoria. Um deles, que já havia sido apresentado em 2019, proíbe o uso de 2,4-D, componente tóxico encontrado no agente laranja e ilegalmente utilizado no Pantanal. O segundo projeto visa à proibição completa de agrotóxicos na Bacia do Alto Paraguai, destacando a necessidade de proteção urgente para essas áreas sensíveis.
Os movimentos de Cabral refletem um crescente escrutínio sobre as políticas ambientais e de desenvolvimento econômico em Mato Grosso, colocando pressão sobre as autoridades para alinhar suas ações com a conservação ambiental e a responsabilidade social.
(com informações VGN)



















