A intervenção na saúde pública em Cuiabá, comandada pela ex-secretária adjunta da Secretaria Estadual de Saúde, Danielle Carmona, tem sido um tema de discussão acirrada no Estado de Mato Grosso. O jornalista Antero Paes de Barros, conhecido por suas análises incisivas e comentários contundentes, expressou sua opinião sobre a intervenção em um recente comentário no programa “Preto no Branco”. Suas palavras jogam luz sobre os desafios e problemas que a intervenção enfrenta, questionando a sua eficácia e motivações.
Segundo ele, o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes tem enfatizado repetidamente que a intervenção na saúde não tem qualquer relação com o poder executivo, argumentando que se trata de uma medida pedida pelo Ministério Público e determinada pelo Poder Judiciário. No entanto, Antero Paes de Barros desafia essa narrativa, afirmando que a intervenção não passa de uma “propaganda da Denorex”, fazendo uma alusão a um antigo comercial de shampoo, que dizia ser “Denorex, parece, mas não é”. O jornalista alega que, na verdade, o governo trabalhou ativamente para que a intervenção fosse decretada.
De acordo com Paes de Barros, embora a intervenção tenha trazido melhorias imediatas em alguns serviços de saúde, como a conclusão da obra da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no Jardim Leblon, a justificativa para a intervenção é questionável. Ele argumenta que a conclusão de uma obra praticamente pronta (da UPA) e a necessidade de realizar reformas em Unidades Básicas de Saúde não deveriam ser razões para uma intervenção tão drástica.
Antero também aponta que a situação da saúde em Cuiabá não é um problema isolado, mas reflete um cenário mais amplo de corrupção que afeta o estado como um todo. Ele menciona casos em outras cidades, como Sinop, e a paralisação de serviços na Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá, um hospital estadual que nada tem a ver com a intervenção.
Uma das questões mais preocupantes levantadas pelo jornalista é a descoberta, por parte dos vereadores, de que a intervenção comprou e distribuiu nas unidades de saúde medicamentos placebo, que não têm efeito terapêutico, bem como a ocultação do descarte de outros medicamentos, que a intervenção alega terem sido adquiridos durante a gestão anterior, do ex-prefeito Emanuel Pinheiro.
O jornalista ressalta que, apesar das investigações sobre a intervenção serem conduzidas por vereadores ligados a Emanuel Pinheiro, isso não deveria ser motivo para desacreditar o processo. Ele argumenta que os fatos devem ser analisados de forma objetiva e que as explicações para as ações da intervenção ainda estão pendentes.
Antero Paes de Barros também compartilhou um comentário feito pelo deputado Abílio Brunini, que acredita que a candidatura de Fábio Garcia não decolará devido à sua associação com a intervenção e ao desarranjo na saúde estadual. O deputado Abílio Brunini alertou sobre os possíveis efeitos negativos da intervenção, que agora parecem se concretizar.
A opinião de Antero Paes de Barros ressalta a complexidade da situação da saúde em Cuiabá e o debate em torno da eficácia da intervenção. À medida que a intervenção continua a ser analisada e debatida, suas palavras ecoam como uma voz crítica em um cenário repleto de incertezas.



















