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Servidores acusam Intervenção por assédio moral; médicos e enfermeiros faziam ‘faxina’

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Servidores que atuam na Unidade de Saúde da Família (USF) do bairro Ouro Fino e Serra Dourada denunciaram que sofreram assédio moral por parte da equipe do Gabinete de Intervenção na Saúde Pública. A unidade passou por reforma e foi entregue no último dia 31 de dezembro, mas antes disso, as equipes de profissionais da saúde eram obrigadas a realizar serviços que não eram de sua competência, como a faxina da unidade. Inclusive, os médicos eram obrigados a participarem da limpeza.

“Nós fomos maltratados aqui, eram ignorantes com todos. No dia 31 de dezembro, domingo, pensamos que íamos descansar, mas eles fizeram a equipe inteira ficar limpando a unidade para a tal inauguração, depois de limparmos tudo, eles bateram no nosso ombro e falaram que estávamos liberados para ir para casa, com aquela risada sarcástica, sabe?”, relatou uma técnica de enfermagem.

Segundo os colaboradores, durante o período de gestão do Gabinete de Intervenção, tanto os funcionários da administração quanto os da saúde como médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, eram obrigados a realizar a faxina da unidade semanalmente. “Isso não acontecia antes, tinha uma equipe de limpeza. Com a Intervenção, até os médicos eram obrigados a limpar a unidade, ignoravam quando perguntávamos se contratariam prestadores de serviços gerais, e quando respondiam, falavam que era aquilo era nosso dever. Foram nove meses de terror, eles diziam que tínhamos que ficar ‘com a caneta na mão’ até meia noite, debochavam da gente, todas os dias havia algum tipo de humilhação, não foi fácil”, afirmou uma servidora.

FALTA DE MEDICAMENTOS

Os funcionários relataram que eram instruídos a não divulgar a falta de remédios na unidade, como foi o caso do medicamento Losartana Potássica, utilizado para o controle de hipertensão. Segundo um servidor, durante os nove meses de Intervenção, não foi enviado nenhum exemplar do medicamento.

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“Não podíamos falar, sofríamos assédio moral, éramos coagidos a ficar de boca fechada. A equipe do Governo vinha aqui e dizia que esse tipo de coisa não era para ficar espalhando por aí, agora, para a inauguração, eles mandaram umas caixas de Losartana para nós, para parecer que tinha sempre né? Mas não víamos a ‘cara’ desse remédio há meses”, afirmou o colaborador.

A reforma da unidade foi entregue às pressas no último dia 31, mas bastou dois dias e 20 minutos de chuva, para que as telhas quebrassem e o local fosse completamente alagado. “Nós olhamos no dia que eles trouxeram as telhas, elas não são novas, eles só pintaram para parecem novas, mas se observar direito, dá para ver que são antigas, tanto que não aguentaram o vento da chuva de terça-feira. Isso é um completo descaso, qualquer chuva alaga aqui dentro, vira um desespero, e para completar, nós que secamos tudo, pois eles não contrataram equipe de serviços gerais”, contou uma enfermeira da USF, que afirma que o telhado é bonito por foto, mas a realidade é diferente.

E por falar em foto, a equipe relatou que foi obrigada a posicionar os medicamentos de forma que parecesse que o estoque de insumos estava completo. “Algumas medicações nós recebemos só uma unidade, e ainda falaram para não entregarmos para nenhum paciente, pois no dia na inauguração, eles iam tirar fotos da prateleira como se tivesse várias caixas, um grande estoque, mas não era bem assim, era tudo ilusão de ótica. A realidade é que vieram um ou dois exemplares de remédios, e isso não dura nem 10 dias de atendimentos”, contou.

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Para alguns colaboradores, o tratamento por parte da equipe enviada pelo Gabinete de Intervenção acabou acarretando problemas psicológicos. “Eu estou tomando remédios para ansiedade, nunca precisei disso, mas a pressão que esse pessoal da Intervenção colocava, a forma hostil que eles nos tratavam foi tão intensa, que eu entrava em desespero só de pensar em ter que trabalhar. Foi um pesadelo, eu estou há 10 anos na área da saúde e esses últimos 9 meses foram os piores da minha vida profissional, foi Deus que não permitiu que eu entrasse depressão”, contou uma técnica de enfermagem da USF do bairro Ouro Fino e Serra Dourada.

Outra reclamação era a falta de armários, os funcionários precisavam guardar seus pertences pessoais como bolsas e mochilas em caixas de papelão, pois na reforma, não foram colocadas estantes ou até mesmo uma sala destinada para a equipe. Nessas mesmas caixas, era armazenado os exames e pedidos médicos dos pacientes da unidade, já que não existe prateleiras para a documentação.

A questão dos banheiros também foi pontuada pelos servidores. “Só um banheiro está funcionando aqui, são cinco na teoria, mas somente um pode ser usado, aí fica aquela coisa chata, os pacientes usam, a equipe também, acaba que congestiona, todo mundo tem que usar correndo, sendo que não precisava isso, se fosse instalados os cinco banheiros que a Intervenção falou que ia instalar, a gente não passava por essa situação”, disse um agente de saúde.

Fonte: VG Notícias

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