Profissionais contratados pela Family Medicina e Saúde dizem que as cobranças à empresa e à direção do hospital ficam sem resposta; caso foi denunciado ao CRM-MT

SALÁRIOS ATRASADOS: Médicos terceirizados do HMC denunciam falta de pagamento por plantões

Luiz Alves

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Médicos que trabalharam na enfermaria do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) afirmam que ainda não receberam pelos plantões e visitas realizados em março, abril e maio de 2026. Os profissionais eram contratados pela Family Medicina e Saúde, empresa terceirizada da Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP), responsável pela gestão do hospital. O grupo afirma que vem cobrando o pagamento sem solução e já levou o caso ao Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT).

Em agosto, a Empresa Cuiabana chegou a informar que faria um pagamento parcial à terceirizada. No dia 10, Joelson Obregão Matoso comunicou ao escalista da equipe médica que seria possível pagar naquele dia metade da nota fiscal de abril e mencionou o valor de R$ 194 mil. A reportagem teve acesso à conversa. Em documentos oficiais da ECSP, Joelson aparece como diretor técnico de gestão. Os médicos o identificam como responsável pela área financeira do hospital.

Apesar da informação sobre o repasse, os profissionais afirmam que não receberam os valores referentes aos serviços prestados.

“Nós somos um grupo de médicos, entre plantonistas e visitadores, que estamos sem receber pelos serviços prestados em março, abril e maio de 2026”, disse uma das médicas afetadas, que pediu para não ser identificada por medo de represálias.

Segundo ela, a contratação funcionava por meio de terceirização: a Empresa Cuiabana mantinha contrato com a Family, que, por sua vez, contratava os médicos para trabalhar no HMC. O grupo afirma ter contratos, escalas de serviço e registros das cobranças feitas nos últimos meses.

“A resposta que eles dão pra gente sempre é paciência. Na segunda a gente faz isso, na quinta a gente faz isso, paciência, dia 10, dia 15”, relatou a médica.

Mensagens às quais a reportagem teve acesso mostram cobranças recentes. Em 8 de setembro, o escalista perguntou a Joelson se havia previsão para o pagamento da nota em atraso. Ele respondeu que estava fora de Cuiabá e que daria retorno até quinta-feira. Novas mensagens enviadas nos dias 11 e 15 aparecem sem resposta nos registros apresentados à reportagem.

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Na segunda-feira (15), o escalista voltou a pedir uma relação dos valores ainda devidos à Family. Na conversa, informou que os médicos cogitavam ir ao hospital e procurar a imprensa para cobrar uma solução, mas que ele vinha evitando fornecer o contato do diretor.

No mesmo dia, o escalista também procurou Milton Correa da Costa Neto, sócio-administrador da Family. Milton pediu paciência aos profissionais e afirmou que teria uma reunião na quinta-feira para tentar resolver a pendência, “nem que for judicial”.

Os médicos afirmam ainda que o antigo responsável técnico pela equipe, que participou das contratações, informou não trabalhar mais para a empresa e não forneceu os contatos da atual direção. O grupo também deixou de prestar serviços no HMC.

Na noite de terça-feira (15), os profissionais procuraram o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), pelo Instagram. Segundo eles, o prefeito respondeu que verificaria a situação. Até o relato encaminhado à reportagem, não havia dado novo retorno.

A denúncia chegou ao CRM-MT em maio, quando os médicos cobravam os pagamentos de março e abril. Em agosto, o grupo voltou a procurar o Conselho. A Comissão de Prerrogativas Médicas informou aos profissionais que a denúncia havia sido analisada e que as providências estavam em andamento.

No início de agosto, o CRM-MT anunciou a abertura dos primeiros processos administrativos contra pessoas jurídicas registradas no Conselho por falta de pagamento a médicos, com base em resoluções editadas neste ano. As instituições notificadas têm dez dias para apresentar manifestação.

“O médico não pode prestar um serviço essencial e ficar sem receber pelo seu trabalho”, afirmou, na ocasião, o presidente do CRM-MT, Adriano Bastos Pinho.

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Problemas envolvendo pagamentos da Family a médicos do HMC já foram registrados em outros anos. Em dezembro de 2022, pediatras ameaçaram suspender os plantões. Na época, a Empresa Cuiabana afirmou que mantinha os pagamentos à terceirizada em dia e que cabia à contratada fazer os repasses aos profissionais.

Em novembro de 2024, a própria Family interrompeu os serviços na enfermaria e alegou que acumulava mais de 100 dias sem receber da ECSP. Em junho de 2025, outra denúncia apontou que cerca de 60 médicos estavam havia quatro meses sem pagamento.

O caso atual ainda não esclarece quanto a Empresa Cuiabana deve à Family, qual é o valor total devido aos médicos nem se o pagamento parcial de R$ 194 mil informado em agosto chegou efetivamente à terceirizada.

Outro lado

NOTA À IMPRENSA

A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), através da Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP), esclarece que a Family Medicina e Saúde Ltda., empresa terceirizada que prestou serviços médicos ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), é uma empresa privada, responsável pela contratação e pela gestão dos profissionais vinculados à prestação dos serviços, incluindo os respectivos pagamentos.

A Empresa Cuiabana de Saúde Pública esclarece que os pagamentos realizados no âmbito da contratação são efetuados conforme as condições estabelecidas contratualmente, não havendo repasse direto da ECSP aos profissionais contratados pela empresa terceirizada. Dessa forma, os pagamentos aos médicos e demais profissionais são de responsabilidade da própria Family Medicina e Saúde Ltda.

Ainda assim, diante dos questionamentos relacionados ao pagamento dos profissionais, a Empresa Cuiabana de Saúde Pública irá realizar um levantamento, junto ao Departamento Financeiro a fim de verificar a existência de supostos débitos em aberto.

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