Documento pede apuração de acúmulo de funções, conflito de interesses e nepotismo na UPA do município. 

Peixoto de Azevedo: Vice prefeito ganha cerca de 92 mil mensais e acumula 5 vínculos empregatícios

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Uma representação protocolada em 16 de outubro de 2026 pede que o Ministério Público de Mato Grosso, por meio da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Peixoto de Azevedo, investigue o vice-prefeito José Agnaldo Paranhos Souto, médico (CRM-MT 8382). O texto levanta suspeitas de acúmulo de vínculos remunerados com recursos da saúde pública, pagamentos por empresa de terceiro e favorecimento de familiares. O documento pede apuração e não afirma que houve ilegalidade.

Pagamentos pela empresa da esposa

Segundo a representação, notas fiscais anexadas mostram que a Associação Filantrópica de Saúde Santa Maria pagou R$ 109.666,68 pelos serviços médicos do vice-prefeito na Central de Regulação e no Serviço de Atenção Especializada (SAE). Foram nove notas, referentes a agosto a dezembro de 2025. O valor não foi faturado em nome dele, mas pela empresa Luana Todescatto Eller Ltda., da médica Luana Todescatto Eller, apontada como sua esposa.

Nas notas, o prestador descrito é o próprio José Agnaldo, e a beneficiária do pagamento é a empresa de Luana. O ponto que a representação considera mais relevante está nos relatórios de plantões de agosto de 2025, assinados pelo médico. Neles consta a observação de que, devido a problemas com a empresa dele, o pagamento seria recebido pela empresa da Dra. Luana. A representação pede que se esclareça se o expediente teve finalidade tributária, como pagar menos imposto do que pagaria como pessoa física, ou outra. Essa análise caberia à Receita Federal e à Secretaria de Fazenda.

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Cinco fontes de renda

O documento afirma que o vice-prefeito acumularia o subsídio do mandato com até cinco atividades médicas remuneradas na saúde pública. Os valores foram informados pelos autores da representação e precisam de confirmação:

  • subsídio e verba indenizatória de vice-prefeito: cerca de R$ 16 mil mensais;
  • médico visitador no Hospital Regional, pela Regen, terceirizada do consórcio de saúde: R$ 18 mil;
  • diretor técnico do Hospital Municipal, também pela Regen: R$ 18 mil;
  • Central de Regulação, pela Associação Santa Maria: de R$ 15 mil a R$ 20 mil;
  • SAE, pela Associação Santa Maria: de R$ 15 mil a R$ 20 mil.

A soma chegaria a cerca de R$ 82 mil por mês, ou R$ 92 mil, se considerados os valores de R$ 20 mil nas duas últimas funções. A representação associa esse reajuste de 25% a janeiro de 2026. O documento também cita o cadastro CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde), que, em dezembro de 2025, listava vínculos ativos do vice-prefeito em quatro funções, totalizando cerca de 34 horas semanais. O CNES, ressalta o texto, não prova pagamento, mas permite requisitar contratos, escalas e folhas.

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“Como uma mesma pessoa cumpriria, no mesmo mês, mandato executivo, direção técnica de hospital, visitas médicas, regulação e atendimento especializado, se o dia tem 24 horas?”, questiona a representação, que pede auditoria de escalas, ponto, prontuários e agenda oficial.

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