Um grupo de artistas divulgou, na manhã desta segunda-feira (24), um vídeo nas redes sociais para incentivar que mulheres vítimas de violência rompam o silêncio e formalizem denúncias. A campanha reforça a cobrança por ações mais eficazes de prevenção e punição, em um contexto alarmante: Mato Grosso lidera, pelo segundo ano consecutivo, a taxa proporcional de feminicídios no país e os casos de 2025 já se aproximam do total registrado em todo o ano anterior.
Os números do Observatório Caliandra do Ministério Público Estadual (MPMT), atualizados até outubro, mostram que 45 mulheres foram assassinadas no estado este ano em razão do gênero. A marca está a apenas dois casos de igualar o total de 2024, quando 47 feminicídios foram registrados – o que representou a maior taxa do Brasil, com 2,5 casos por 100 mil habitantes, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
A campanha das artistas cita casos emblemáticos para ilustrar a gravidade da situação, entre eles o crime que chocou o estado em 24 de novembro de 2023, em Sorriso (400 km de Cuiabá). Gilberto Rodrigues dos Anjos, de 34 anos, foi condenado pelo Tribunal do Júri a 225 anos de prisão pelo estupro e assassinato de Cleci Calvi Cardoso, de 46 anos, e de suas três filhas, de 19, 13 e 10 anos.
Patamar alarmante se mantém
Os dados revelam a persistência de um patamar inaceitável de violência de gênero em Mato Grosso. A estabilidade nos números – sem queda significativa nos últimos anos – aponta para a ineficácia das políticas públicas estaduais de enfrentamento ao problema durante a gestão do governador Mauro Mendes (UNIÃO).
Enquanto isso, a mobilização da sociedade civil tenta preencher as lacunas deixadas pelo poder público. No vídeo da campanha, as artistas fazem um apelo direto: pedem que as vítimas não permaneçam em silêncio e busquem ajuda para romper o ciclo de agressões, reforçando a importância de denunciar os agressores e buscar a rede de proteção disponível.
A iniciativa joga luz sobre a urgência de medidas concretas que revertam o cenário de violência, num estado onde a letalidade contra mulheres segue batendo recordes assustadores, ano após ano.






















