Levantamento de 2022 apontou Luís Antônio Taveira Mendes ligado a CNPJs com R$ 2,7 bilhões em capital social; PF pediu sua prisão em investigação sobre mercúrio e, em 2026, empresário aparece como cotista do GS Heritage

Filho de Mauro apareceu em 36 empresas, teve prisão pedida na Hermes e agora surge em documentos da Heritage

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Aos 24 anos, Luís Antônio Taveira Mendes, filho de Mauro Mendes, já aparecia em um levantamento ligado a 36 empresas que, juntas, declaravam R$ 2,738 bilhões em capital social. Um ano depois, a Polícia Federal pediu sua prisão temporária na Operação Hermes. A Justiça negou. Agora, em 2026, o empresário volta a aparecer em documentos de outra investigação federal, a Operação Heritage.

Os episódios são distintos e não representam condenação, mas colocam em sequência uma trajetória empresarial que ganhou projeção inicialmente pelo número de empresas e pelo volume de capital social e, posteriormente, passou a aparecer em investigações federais envolvendo mineração e estruturas financeiras.

O primeiro levantamento foi publicado pelo site Minuto MT em junho de 2022. Com base em consultas a registros de CNPJs, a reportagem apontou Luís Antônio como sócio de 36 empresas cujo capital social agregado alcançava R$ 2.738.651.390,54. Os negócios estavam concentrados principalmente em setores como energia, mineração e construção civil.

Os R$ 2,7 bilhões não correspondiam ao patrimônio pessoal de Luís Antônio. O número representava a soma do capital social integral das empresas nas quais ele aparecia, incluindo participações pertencentes aos demais sócios.

Em novembro de 2023, o nome do empresário ganhou outro tipo de repercussão. Durante a segunda fase da Operação Hermes, a Polícia Federal pediu sua prisão temporária em uma investigação sobre comércio irregular de mercúrio destinado à mineração de ouro.

A Justiça Federal negou a prisão. Na ocasião, foram consideradas, entre outros elementos, manifestações sobre a insuficiência de indícios para justificar a medida mais grave naquele momento. A negativa, porém, não alterou o fato de que Luís Antônio figurava na investigação e havia sido incluído no pedido apresentado pela PF.

A apuração alcançou empresas do setor de mineração relacionadas ao empresário. Entre elas, a Mineração Aricá.

Segundo elementos apresentados pela Polícia Federal, a empresa aparecia sem declaração de aquisição de mercúrio no sistema de controle citado pelos investigadores, apesar de ter registrado produção de aproximadamente 943,5 quilos de ouro no período analisado. A PF investigava suspeitas de aquisição de mercúrio de origem irregular utilizado na atividade mineradora.

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A investigação também analisou a atuação de outras empresas relacionadas ao núcleo empresarial. As conclusões apresentadas pela PF foram contestadas pelas defesas e não equivalem a condenação.

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Mauro Mendes saiu publicamente em defesa do filho e questionou a investigação. Luís Antônio não foi preso.

O caso continuou produzindo desdobramentos. Em agosto de 2026, o Ministério Público Federal defendeu a manutenção, no Superior Tribunal de Justiça, da investigação envolvendo Mauro Mendes e Luís Antônio decorrente da Operação Hermes, contrariando argumentos apresentados pela defesa sobre a tramitação do caso.

Enquanto a Hermes ainda produz discussão judicial, o nome de Luís Antônio surgiu nos documentos de outra grande investigação da Polícia Federal.

A Operação Heritage apura suspeitas relacionadas ao acordo de R$ 308,1 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a Oi e ao caminho percorrido posteriormente pelos recursos através de empresas e fundos de investimento.

O acordo foi celebrado em abril de 2024. Antes disso, a Oi havia vendido o direito sobre o crédito. Segundo documentos da investigação, o escritório Ricardo Almeida Advogados adquiriu por R$ 80 milhões um crédito estimado em aproximadamente R$ 389,9 milhões.

Depois do acordo com Mato Grosso e dos pagamentos realizados pelo Estado, a Polícia Federal passou a reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro.

Segundo a tese investigativa apresentada à Justiça, recursos teriam circulado por uma estrutura de empresas e fundos de investimento. A PF apura se essa arquitetura foi utilizada para ocultar origem, movimentação e destino de valores.

É nessa estrutura que Luís Antônio volta a aparecer.

Segundo documentos citados na decisão do ministro Flávio Dino que autorizou a Operação Heritage, Luís Antônio e suas duas irmãs aparecem como cotistas do GS Heritage.

O GS Heritage integra uma das cadeias financeiras examinadas pela Polícia Federal no rastreamento dos recursos relacionados ao acordo da Oi.

A condição de cotista não significa participação em crime. Também não permite afirmar, apenas por esse vínculo, que Luís Antônio tenha recebido recursos provenientes do acordo ou participado de eventual operação ilícita. A investigação ainda busca individualizar responsabilidades e estabelecer o caminho efetivo do dinheiro.

O ponto de contato, entretanto, acrescenta um novo capítulo à trajetória empresarial do filho de Mauro Mendes.

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Em 2022, aos 24 anos, Luís Antônio aparecia ligado a 36 empresas com R$ 2,738 bilhões em capital social agregado.

Em 2023, teve a prisão temporária pedida pela Polícia Federal na Operação Hermes. A Justiça negou.

Em 2026, o MPF ainda defende a continuidade da investigação relacionada à Hermes no STJ e, paralelamente, Luís Antônio aparece como cotista do GS Heritage nos documentos de outra operação federal.

As duas investigações têm objetos diferentes.

A Hermes trata de suspeitas envolvendo comércio irregular de mercúrio e mineração de ouro. A Heritage investiga o caminho de recursos relacionados ao acordo de R$ 308,1 milhões entre Mato Grosso e a Oi por meio de empresas e fundos.

Também não há base para dizer que as 36 empresas apontadas em 2022 sejam investigadas pela Polícia Federal. Não são esses os fatos demonstrados.

O que existe é uma sequência documental que começa com a dimensão da atuação empresarial de Luís Antônio e chega a duas investigações federais diferentes nos anos seguintes.

Os fatos também exigem que três distinções sejam preservadas: os R$ 2,7 bilhões são capital social agregado, e não patrimônio pessoal; pedido de prisão não significa prisão ou condenação; e aparecer como cotista de um fundo citado em uma investigação não significa participação em crime.

Feitas essas ressalvas, permanece um fato de evidente interesse público: o filho de Mauro Mendes, que aos 24 anos aparecia ligado a dezenas de empresas dos setores de energia, mineração e construção, teve sua prisão pedida pela Polícia Federal em uma investigação sobre mercúrio e mineração e, três anos depois, seu nome volta a aparecer em documentos de outra grande operação federal, agora como cotista de um fundo inserido na estrutura financeira examinada na Heritage.

De um levantamento sobre 36 empresas em 2022 às operações Hermes e Heritage, a trajetória empresarial de Luís Antônio Taveira Mendes passou a ser acompanhada não apenas pelos registros societários, mas também por investigações e decisões de autoridades federais.

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