Apenas uma hora e quatro minutos depois, às 19h26min57s, a vaga já estava autorizada.

Prefeito de Cuiabá consegue vaga de UTI em menos de 2 horas para mãe, enquanto pacientes do SUS aguardam semanas por atendimento

publicidade

Enquanto milhares de brasileiros dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) e enfrentam longas filas de espera por leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), demonstrou a rapidez com que familiares de autoridades podem ter acesso a tratamentos críticos. A mãe do prefeito, Sra. Silvana Jacques Brunini Moumer, precisou de apenas uma hora e quatro minutos para conseguir uma vaga no Hospital Metropolitano de Cuiabá, conforme informações exclusivas apuradas pelo site NovidadesMT.
O episódio levanta questões sobre a disparidade no acesso à saúde de alta complexidade no Brasil, um problema que tem custado vidas, como no caso da idosa Luiza Klein, que morreu após aguardar 15 dias por uma vaga de UTI em Mato Grosso.

A internação da mãe do prefeito

Segundo dados obtidos pelo portal de notícias, a solicitação de internação para a Sra. Silvana foi registrada no sistema no dia 3 de agosto de 2026, às 18h22min15s. Apenas uma hora e quatro minutos depois, às 19h26min57s, a vaga já estava autorizada. A paciente foi internada em estado grave na UTI do Hospital Metropolitano, apresentando um quadro de redução dos níveis de potássio e sódio no organismo, uma condição que, segundo o próprio prefeito, oferecia risco à vida.
O caso ganhou visibilidade nas redes sociais após o prefeito Abílio Brunini denunciar um técnico de enfermagem da rede pública por suposta violação de sigilo profissional. O servidor teria compartilhado detalhes sobre o estado de saúde da paciente e ironizado o fato de ela estar sendo atendida pelo SUS. Em resposta, o prefeito reafirmou sua confiança no sistema público, embora tenha esclarecido que possui condições financeiras para custear o tratamento na rede privada.
De acordo com Brunini, sua mãe deu entrada inicialmente em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e foi transferida para o Hospital Metropolitano por meio da regulação do SUS, sem qualquer interferência direta de sua parte .

A cruel realidade da fila de espera

O caso de Silvana Jacques contrasta fortemente com a realidade enfrentada por grande parte da população. A demora no acesso a leitos de UTI é um problema crônico no Brasil. Levantamento recente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) revelou que pacientes que dependem exclusivamente do SUS têm cinco vezes menos chances de conseguir um leito de terapia intensiva do que aqueles com planos de saúde .
Embora o Brasil tenha ampliado em 67% o número de leitos de UTI na última década, saltando de 28,4 mil para 47,6 mil leitos entre 2016 e 2025, a distribuição é desigual. A rede particular terminou 2025 com uma taxa de 68,8 leitos para cada 100 mil habitantes, enquanto no sistema público o índice foi de apenas 13,05 .
Essa morosidade administrativa tem consequências trágicas. Um dos casos mais emblemáticos recentes é o da idosa Luiza Klein, de 67 anos, moradora da zona rural de Santo Antônio do Leverger. Em 2025, Luiza necessitou de internação em UTI com suporte oncológico após ser diagnosticada com um quadro grave de calculose das vias biliares associada à colangite.
Internada em 16 de janeiro de 2025 em um hospital municipal, ela aguardou longos 15 dias por uma vaga. Mesmo após a Defensoria Pública conseguir uma liminar determinando a transferência em até 12 horas, o Estado de Mato Grosso descumpriu a ordem. A transferência para um hospital em Cuiabá só ocorreu nove dias após a decisão judicial. Infelizmente, Luiza Klein não resistiu e faleceu em 1º de fevereiro de 2025, um dia após a admissão .
A tragédia da família Klein teve um desfecho judicial. A Justiça de Mato Grosso condenou o Estado a pagar R$ 530 mil em indenizações por danos morais à família, reconhecendo a “flagrante negligência” e a teoria da perda de uma chance. Na sentença, a juíza Maria Lúcia Prati destacou que a omissão estatal privou a paciente de uma possibilidade concreta de receber tratamento adequado .

Desigualdade e o risco de vida

A experiência de Luiza Klein não é um caso isolado. Em 2025, diversas outras tragédias ocorreram em Mato Grosso e no restante do Brasil devido à demora na transferência de pacientes.
A tabela abaixo resume o contraste entre os dois casos em destaque:
Aspecto
Mãe do Prefeito (Sra. Silvana)
Sra. Luiza Klein
Situação
Internação em estado grave na UTI
Necessidade de UTI com suporte oncológico
Tempo de espera
1 hora e 4 minutos
15 dias
Local de destino
Hospital Metropolitano de Cuiabá
Hospital Estadual Santa Casa (Cuiabá)
Desfecho inicial
Internação rápida autorizada
Óbito após a demora na transferência
Intervenção judicial
Não reportada
Liminar descumprida (12h)
Especialistas alertam que a demora no acesso ao cuidado intensivo compromete severamente a recuperação do paciente. “Quanto maior a demora para acessar o sistema, menores as chances de se recuperar com qualidade”, explica Ederlon Rezende, presidente do Conselho Consultivo da AMIB .
O caso da internação rápida da mãe do prefeito de Cuiabá reacende o debate sobre a necessidade de um Sistema Único de Saúde mais eficiente e igualitário, onde o tempo de espera por um leito de UTI não seja definido pela influência política ou pelo poder aquisitivo, mas sim pela gravidade clínica e pela necessidade do paciente.

 

Leia Também:  Eleitor tem quatro meses para regularizar título e votar em outubro

 

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

Previous slide
Next slide