Joci Piccini, que teve bens bloqueados, é vice-prefeito de Lucas do Rio Verde (MT) e presidente da Show Safra

Bilionário do Agro, Piccini financiou esquema de Mauro Mendes

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A decisão do ministro Flávio Dino que autorizou a Operação Heritage bloqueou bens do vice-prefeito de Lucas do Rio Verde (MT), Joci Piccini (União), e de empresas do Grupo Piccini, um dos mais influentes do setor agropecuário brasileiro. A família teria financiado o suposto esquema que beneficiou o então governador Mauro Mendes (União) e seu chefe da casa civil, Fábio Garcia (União), que é deputado federal e candidato a vice-governador. Mendes e os Piccini eram sócios em uma usina de bioenergia, segundo a Polícia Federal.

A transação teve início com a compra de direitos creditórios da Oi num processo contra o Mato Grosso, por R$ 80 milhões, pelo escritório de advocacia Ricardo Almeida, que depois os revendeu para dois fundos. Pouco depois, o Estado firmou um acordo para pagar R$ 308 milhões para encarrar um processo contra a telefônica. O dinheiro saiu dos cofres estaduais e foi parar nos fundos, que depois o distribuiu entre empresas e fundos ligados às famílias do governador e do chefe da Casa Civil, novamente segundo a denúncia da PF.

De acordo com Dino, as medidas de busca e apreensão incluem as empresas pertencentes ao denominado Grupo Piccini porque elas foram “identificadas como responsáveis pelo aporte inicial de recursos destinados à aquisição dos direitos creditórios relacionados à operação sob investigação“.

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O dinheiro teria voltado ao grupo da seguinte forma: um dos fundos que comprou os direitos creditórios da Oi repassou recursos para o fundo Zurich FIM que, por sua vez, transferiu para o London FIP. Este comprou participações societárias na empresa Parecis Bioenergia pertencentes ao fundo 5M Capital, controlado pela família Mendes por intermédio da GS Heritage – daí o nome da operação.

Isso “teria viabilizado a transferência do dinheiro público para o patrimônio privado da família do ex-governador, sob a aparência de uma transação societária lícita“, segundo Dino.

Bilionários do agro

De acordo com reportagem publicada do Noefeed, a Parecis Bioenergia prometia investir R$ 750 milhões na construção de uma usina de etanol de milho em Diamantino (MT). Em novembro de 2024, mesma época das transações agora investigadas pela Polícia Federal, o executivo à frente do negócio, Luciano Souza, disse que a empreitada tinha, além de Piccini, mais uma família entre os sócios, além de quatro fundos investidores que não poderiam ser divulgados.

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São pessoas que se conhecem, que têm uma confiança. Analisaram muito o negócio, avaliaram bastante, mas acreditam também nas pessoas”, afirmou. A investigação da PF aponta que um desses sócios ocultos era o governador do Mato Grosso, do mesmo partido (o União Brasil) de Joci Piccini.

A coluna procurou Joci Piccini por intermédio da prefeitura de Lucas do Rio Verde e da Fundação Rio Verde. Esta sugeriu que o contato acontecesse via Amazônia Máquinas, que não respondeu. Mauro Mendes se pronunciou pelas redes sociais, onde defendeu o acordo com o escritório Ricardo Almeida e negou irregularidades.

“Esse acordo passou por diversos procuradores, foi homologado pela Justiça, analisado como legal e vantajoso pelo Tribunal de Contas, Ministério Público de Contas e Ministério Público Estadual. Portanto, o pagamento feito pelo Governo do Estado foi correto, está dentro da legalidade”, afirmou o agora candidato a senador pelo União.

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