Depoimento foi dado em inquérito que apurou entrega de carta misteriosa em casa de Mauro e Virginia Mendes, em 2025

VAI VENDO: Ex-namorada de sargento diz ter sido traída quando ele trabalhava como segurança de Virginia Mendes, entenda na matéria

publicidade

Uma ex-namorada do sargento Eros Araujo Barros Araujo, ex-segurança da ex-primeira-dama de Mato Grosso, Virginia Mendes, declarou à Polícia Civil que foi traída pelo trabalho que o militar exercia junto à esposa do ex-governador Mauro Mendes (União), insinuando que ambos eram amantes.

A declaração foi dada em depoimento à Delegacia de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), da Polícia Civil de Mato Grosso, obtido, com exclusividade, pelo Isso É Notícia(veja o vídeo ao final da reportagem)

O inquérito apurou supostos crimes de ameaça, violação de domicílio e associação criminosa em um episódio da entrega de uma carta à Virginia Mendes, em sua casa, alertando-a sobre possíveis articulações para manchar sua imagem e de seu marido.

A entrega da carta foi tornada públicada pelo própria ex-primeira-dama, em entrevista à imprensa quando lançou sua candidatura a deputada federal pelo União Brasil.

Após a investigação da DRCI, a Polícia Civil indiciou o sargento Eros, um outro militar – por conta de uma carona -, e a ex-namorada de Eros, Renata Fernandes da Silva, que admitiu à Polícia ter sido a autora e ter entregue a carta por conta própria, sem a participação de nenhuma outra pessoa.

O Ministério Público Estadual (MPE), todavia, não apresentou denúncia contra os indiciados e determinou o arquivamento do inquérito por falta de provas.

No interrogatório que deu, Renata afirmou que, além do relacionamento amoroso, mantinha uma sociedade empresarial com o sargento Eros. E que, no ano passado, passou a perceber que Eros estava sendo sondado por terceiros para que fornecesse materiais de seu aparelho celular que pudessem expor Mauro e Virginia Mendes.

Preocupada com a situação, Renata teria tido a ideia de alertar a ex-primeira-dama sobre a situação e conseguiu entrar no Condomínio Alphaville, passando-se por uma amiga de uma das empregadas da casa da família Mendes, sem adentra-la ou desobedecer ordens dos seguranças. Do lado de fora, ela entregou a carta à funcionária e deixou o condomínio em seguida.

Leia Também:  Márcia vê hipocrisia e chama Mendes de 'predador do meio ambiente'

Carta Virginia Mendes

Carta entregue na casa de Virginia e Mauro Mendes que deu origem à investigação

Traída ‘por conta do trabalho junto com ela [Virgínia]’

No interrogatório, Renata afirmou que tomou a decisão após ter sofrido muito por ter sido traída. Ela declarou que é viúva de um tenente-coronel e que, após sua morte, passou relacionar-se com o sargento.

“Depois de algum tempo, eu passei a me relacionar com Eros. […] Então, assim, a maior parte dos policiais me conhece. Sem eu conhecê-los, eles me conhecem. Os próprio policiais, também, que trabalham com o governador. Então, por isso, eu não queria me expor dessa forma. E expor a dona Virgínia também. […] No sentido de que eu estava envolvida com o sargento e ele me traiu por conta do trabalho junto com ela”

Logo após citar a suposta traição, o delegado da DRCI que conduziu o interrogatório imediatamente mudou de assunto e não pediu mais explicações sobre a suposta traição.

As declarações sobre a suposta relação de Eros e Virginia só foram feitas por intervenção do advogado da interrogada que se manifestou após as perguntas do delegado.

Procurada, a Polícia Civil informou que não divulgaria detalhes do inquérito, como o nome do delegado que interrogou a investigada, porque o caso está em segredo de Justiça.

DRCI ‘forçou a barra’ para indiciar investigados

O promotor Kledson Dionysio de Oliveira considerou que o inquérito policial não possui lastro probatório para oferecer denúncia criminal contra os indiciados.

A decisão de arquivamento do inquérito foi assinada pelo representante do MP no dia 26 de agosto de 2026.

Segundo o representante do MP, a DRCI criou fatos inexistentes para incriminar os suspeitos pelo crime de associação criminosa.

Promotor Kledson Dionysio de Oliveira

Promotor Kledson Dionysio de Oliveira, do MP-MT

O promotor garante que não há nenhuma prova nos autos que indiquem a prática do crime pelo suspeitos e que a realidade investigativa criada pela DRCI não encontra nenhuma correspondência nos fatos efetivamente apurados.

Leia Também:  VAI VENDO: Fraude em consignados se amplia: grupo da Capital Consig tem 43 empresas e mais 3 são alvo de denúncias

Sobre o crime de ameaça, o promotor também não viu nenhum elemento no inquérito. Isso porque a carta, em si, não fazia nenhuma ameaça à primeira-dama, apenas alertava sobre sua suposta articulação para atingir a honra do casal.

Já sobre o crime de invasão de domicílio, o promotor também destacou que não há qualquer indício de crime contra os suspeitos, já que Renata não invadiu a casa de Mauro e Virginia e entregou a carta à funcionária na garagem da mansão dos Mendes e que obedeceu aos comandos dos seguranças de esperar a funcionária naquele local.

A própria Virginia Mendes declarou à Justiça “ter compreendido que a intenção da pessoa que entregou a referida correspondência em sua casa seria a de alertá-la acerca de uma possível armação de terceiras pessoas, tramada contra a própria ofendida e contra o seu marido”.

Sargento foi exonerado da Casa Militar após denunciar câmera escondida em seu quarto

O sargento Eros Araujo foi demitido da Casa Militar logo após registrar um boletim de ocorrência onde afirmou que estava sendo monitorado, em seu alojamento em São Paulo, onde ficava para acompanhar a ex-primeira-dama que frequentemente ia à cidade visitar os filhos ou fazer tratamento de saúde.

Segundo Eros, a câmera que registrava seus momentos de intimidade foi instalada por determinação do então secretário-chefe da Casa Militar, tenente-coronel Fernando Turbino, supostamente a mando do então governador Mauro Mendes.

O caso foi mostrado, com exclusividade, pelo Isso É Notícia.

O que dizem os citados

Procurados pela reportagem, Mauro e Virginia Mendes, que figuraram como vítimas no inquérito, não se pronunciaram sobre as declarações da ex-namorada do sargento Eros Araujo e sobre a investigação.

Os indiciados, da mesma forma, também não responderam aos pedidos de entrevista da reportagem.

Confira trecho do interrogatório da ex-namorada do Sargento Eros:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

Previous slide
Next slide