Presidente diz que divulgação parcial das apurações interfere na disputa eleitoral e cita Operação Spoofing como exemplo

“DOA A QUEM DOER”: Lula cobra ‘quebra completa de sigilo’ das investigações dos envolvidos no caso Master e volta a criticar vazamentos seletivos

Atitude irresponsável, diz Lula após revogação de visto de embaixadora
© REUTERS/Adriano Machado/Proibida reprodução

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou nesta quarta-feira (9) a “quebra completa do sigilo” das investigações de todas as pessoas envolvidas no caso Banco Master. Em publicação nas redes sociais, Lula voltou a criticar o que chamou de “vazamentos seletivos” e afirmou que a divulgação parcial das apurações tem impacto sobre a disputa eleitoral.

“Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário”, escreveu o presidente.

Lula afirmou que o caso exige “mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral”. “Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, acrescentou.

Há um crise instalada envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF) em torno das investigações sobre o Banco Master. Na terça-feira (8), o ministro André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. Nesta quarta, o ministro Flávio Dino determinou a reintegração dos dois aos cargos.

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Na quinta-feira (3), o presidente Lula já havia defendido que todos os envolvidos fossem investigados “sem blindagem de ninguém, doa a quem doer” e criticado vazamentos seletivos de informações das apurações.

Crise se intensificou após divulgação de relatório da PF

A crise tornou-se mais aguda depois que Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF com mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. O material mostra tentativas de Vorcaro de mobilizar integrantes do Judiciário e de outras instituições em favor de seus interesses. As mensagens, por si só, não comprovam que os pedidos tenham sido atendidos ou que os destinatários tenham cometido crimes.

O episódio vem sendo utilizado na corrida eleitoral pelo campo do bolsonarismo, que tenta atrelar a imagem de Alexandre de Moraes a Lula. Enquanto isso, a campanha petista tenta dar ênfase à relação de Vorcaro com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que pediu recursos ao banqueiro para supostamente financiar o projeto audiovisual Dark Horse.

Na publicação desta quarta, Lula também citou a Operação Spoofing como exemplo de divulgação de informações de interesse público. A operação da PF investigou a invasão de celulares de autoridades e levou à apreensão das mensagens trocadas entre integrantes da força-tarefa da Lava Jato e o então juiz Sergio Moro.

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Em 2020, o então ministro do STF Ricardo Lewandowski determinou que a defesa de Lula tivesse acesso ao material relacionado aos processos contra o petista e, posteriormente, retirou o sigilo da reclamação que tratava do compartilhamento das mensagens.

Editado por: Monyse Ravena

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