VÁRZA GRANDE

Candidato de Flávia à presidência da Câmara é citado como ‘peça-chave’ em suposta manobra para contratar empresa condenada e 147% mais cara

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O candidato da prefeita Flávia Moretti (PL) à presidência da Câmara de Várzea Grande, o correligionário Lucas Ribeiro Ductievicz, conhecido como Lucas do Chapéu do Sol, foi apontado como peça-chave em uma suposta manobra para destituir a empresa responsável pelos serviços de limpeza urbana e contratar, em caráter emergencial, por R$ 14,3 milhões, uma empresa condenada e com valores expressivamente superiores aos da prestadora anterior, com diferenças que ultrapassam 60%, 97% e até 147% em determinados serviços.

A afirmação consta na ação popular ajuizada pelo advogado Juliano Banegas Brustolin. De acordo com a denúncia, Lucas, então secretário municipal de Serviços Públicos e Mobilidade Urbana, participou de uma sequência de decisões que culminou na contratação emergencial. Entre elas, estão os atrasos nos repasses mensais à empresa que prestava os serviços à época, a Eletroconstro Prestação e Terceirização de Serviços Ltda. A situação teria contribuído para atrasos nos pagamentos dos colaboradores, além de provocar repercussão popular e midiática em torno do rompimento do contrato.

De acordo com a ação, Lucas rescindiu o contrato com a Eletroconstro em agosto de 2025. Os autores sustentam que a falta de pagamentos regulares por parte da Prefeitura contribuiu para cobranças e conflitos trabalhistas e questionam se a condução do caso criou as condições para justificar a contratação emergencial.

Outro ponto apontado na ação, está o fato de, após o rompimento, a Prefeitura não convocar a segunda colocada na licitação vigente, a Penta Serviços de Máquinas Ltda., mesmo depois de a empresa manifestar interesse em assumir a prestação dos serviços. Em vez disso, contratou emergencialmente a Ramac Empreendimentos e Serviços Ltda., em janeiro de 2026, pelo valor global de R$ 14.308.885,26,

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Além de  não respeitar o editar em vigor, a contratação é questionada em razão do histórico judicial da Ramac, condenada por improbidade administrativa em Sergipe e proibida de contratar com o poder público por seis anos naquele estado e ainda apontamentos de sobrepreço.

A diferença entre os valores pagos às empresas é exorbitante comparando os dois contratos. A Eletroconstro recebia R$ 1.358.562,87 por mês. Com a Ramac, o valor passou para R$ 2.384.814,21, um acréscimo de R$ 1.026.251,34, equivalente a aproximadamente 75,5% na comparação direta entre os valores mensais.

O próprio Tribunal de Contas de Mato Grosso identificou indícios de sobrepreço de 66,25% em alguns itens analisados. Representações encaminhadas ao órgão também apontaram preços até 147,7% superiores aos anteriormente praticados em determinados serviços.

A ação popular pede a anulação do contrato diante do risco de prejuízo aos cofres municipais. O contrato emergencial, porém, continua vigente, apesar de o TCE-MT ter estabelecido prazo máximo de 180 dias para a realização de uma nova licitação.

FLÁVIA X WANDERLEY

Antes de assumir a Secretaria Municipal de Serviços Públicos e Mobilidade Urbana, Lucas foi escolhido por Flávia para tentar derrotar seu opositor, Wanderley Cerqueira (MDB), na eleição para a presidência da Câmara, em maio. Lucas perdeu a disputa por 12 votos a 11 e, após a derrota na Casa de Leis, assumiu a pasta.

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Agora, a prefeita atua para uma nova eleição, sob a alegação de antecipação do pleito, e tenta eleger seu aliado, afirmando ter os votos necessários para vencer Wanderley.

Caso eleito, Lucas disputará o comando do Legislativo após ter ocupado uma secretaria diretamente envolvida nas decisões administrativas questionadas na ação popular.

Wanderley Cerqueira, por sua vez, tem atuado como ferrenho opositor de Flávia Moretti. Ele questionou publicamente a origem do dinheiro em espécie que aparece em um vídeo no qual o marido da prefeita, Carlos Alberto de Araújo, conhecido como primeiro-cavalheiro, manuseia cédulas.

O vídeo foi encaminhado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso ao Ministério Público Eleitoral para apuração de possíveis irregularidades. A investigação envolve suspeitas levantadas por partidos de oposição sobre possível caixa dois.

No caso da limpeza urbana, Wanderley cobra esclarecimentos da Prefeitura sobre os motivos pelos quais os pagamentos à Eletroconstro teriam deixado de ser regulares, as razões da rescisão contratual, a ausência de convocação da Penta e os critérios que fundamentaram a contratação emergencial da Ramac, empresa condenada e cujos valores são expressivamente superiores aos da prestadora anterior.

Outro ponto questionado é o modelo da nova licitação destinada a estabelecer o contrato definitivo da limpeza urbana. Segundo os questionamentos apresentados, o edital teria sido elaborado com base nas características da própria Ramac, o que poderia restringir a concorrência e favorecer a permanência da empresa na prestação dos serviços no município.

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