Além do processo, acompanhamento psicossocial no Jecrim abre caminhos para novas escolhas

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Duas mulheres estão sentadas à mesa em uma sala iluminada. À esquerda, uma mulher de óculos e blusa azul. À direita, uma mulher negra de óculos e blusa estampada gesticula. Ao fundo, um quadro com a pintura de um cavalo e uma mulher.Quando
uma pessoa chega ao Núcleo Psicossocial (NUPS) do Juizado Especial Criminal de
Cuiabá, o olhar da equipe não se restringe ao fato que a levou até a Justiça. A
proposta é compreender também os aspectos pessoais, familiares e sociais
relacionados àquela situação e, a partir deles, construir possibilidades de
acompanhamento.

Esta
é a terceira e última matéria da série “Justiça que acolhe”, que apresentou o
funcionamento do Juizado Especial Criminal (Jecrim), a busca pela solução dos
conflitos e, agora, mostra como o acompanhamento psicossocial pode alcançar
questões que vão além do processo.

É
nesse trabalho que psicólogos e assistentes sociais acolhem, entrevistam e
orientam as pessoas encaminhadas ao Núcleo. Quando necessário, também fazem a
articulação com a rede pública de atendimento e acompanham casos relacionados a
conflitos e ao porte de drogas para consumo pessoal.

“O
Núcleo Psicossocial tem um trabalho de auxiliar tecnicamente os juízes na
solução ou na decisão do procedimento. Fazemos o acolhimento das partes,
entrevistas, encaminhamos para a rede pública quando necessário e fazemos o
acompanhamento”, explica a assistente social do NUPS, Gilda Rodrigues Arruda.

Para
quem chega ao Núcleo em razão do uso de drogas, o trabalho busca ampliar o
olhar para além da ocorrência que deu origem ao procedimento.

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“O
uso de droga é apenas a ponta do iceberg no contexto que essas pessoas trazem
em suas histórias. Nosso principal objetivo é esse cuidado para que a pessoa
possa olhar para si como ser humano”, explica Ana Cláudia Amorim Lima,
psicóloga do NUPS.

Informação
para ampliar escolhas

Uma
das iniciativas é o Grupo de Acompanhamento, Informação e Educação (GAIE),
realizado mensalmente, de forma on-line, com pessoas acompanhadas pelo Núcleo.

Mulher sorridente de óculos de armação clara e cabelos claros com mechas veste blusa azul texturizada de mangas curtas bufantes. Está sentada à mesa com as mãos apoiadas.Os
encontros abordam não apenas questões relacionadas ao uso de drogas, mas
diferentes aspectos da saúde e do autocuidado, promovendo um olhar para si.
Profissionais convidados participam das atividades e tratam de temas diversos,
como os efeitos de drogas lícitas e ilícitas, saúde bucal, autoestima e
motivação.

“Buscamos
abrir o horizonte para novas possibilidades e escolhas, para que os
participantes se olhem, se vejam como seres humanos. Eles continuam sendo
acompanhados pela nossa equipe, que procura estimular a aplicação daquilo que
foi trabalhado nos encontros”, afirma Ana Cláudia.

Arte
como instrumento de reflexão

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Outra
iniciativa é o projeto Arte e Vida, desenvolvido em parceria com o Instituto
Ação de Desenvolvimento Sustentável da Pessoa e Inclusão, o Proaspi, e voltado
a pessoas encaminhadas ao NUPS em razão do porte de drogas para consumo
pessoal.

Mulher de cabelos cacheados escuros e óculos fala ao microfone com a marca "TJMT TV". Veste blusa estampada em tons de azul e laranja. Ao fundo, quadro emoldurado.Em
sua quinta edição, o projeto utiliza recursos artísticos, como o teatro, para
trabalhar conceitos como autoestima, autorrespeito, convivência e respeito ao
próximo. Os encontros são semanais e, nesta edição, cerca de 28 a 30
participantes têm mantido presença frequente nas atividades. 

“Temos
visto um envolvimento espontâneo. Eles estão participativos e se identificando
com o trabalho do instrutor e da equipe psicossocial. Isso pode ser percebido
pela presença e pelo envolvimento nas atividades”, relata a assistente social,
Gilda.

A
edição começou em setembro e segue até 10 de dezembro. Ao final dos três meses
de atividades, os próprios participantes apresentarão uma peça criada durante
os encontros.

“A
gente espera que cada um, à sua maneira, consiga refletir e administrar a vida
sem o uso de qualquer entorpecente. Essa é a proposta”, conclui a assistente
social.

Fonte: TJMT

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