O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), sobrevive com rendimentos obtidos de cargos públicos, sem ingresso via concurso, desde pelo menos o ano de 2015, quando foi nomeado como assessor na antiga Secretaria de Estado de Cidades (Secid), por indicação do seu avô, pastor Sebastião Rodrigues de Souza, da Assembleia de Deus.
A polêmica ganhou as redes sociais depois que Brunini afirmou que “petistas não trabalham” e, em resposta, o deputado estadual Lúdio Cabral (PT) provocou o prefeito, pedindo que ele mostrasse sua carteira de trabalho. Em stories publicado no Instagram, Brunini publicou um print de sua carteira com o acumulado de 15 anos de carteira assinada.
A publicação, no entanto, não detalha o período exato em que Brunini trabalhou e por quais empresas ou instituições foi contratado. Atualmente com 42 anos e tendo passado a atuar em cargos públicos desde 2015 – o que o impede de ter carteira assinada – Abilio precisaria ter começado a trabalhar aos 16 anos de idade, no ano 2000, para completar 15 anos de trabalho revelados no print.
Em outra hipótese, caso tenha trabalhado como CLT entre 2020 e 2022 – período em que ficou sem cargo público após perder as eleições para a prefeitura de Cuiabá – o período de carteira assinada de Abilio pode ter iniciado em 2002, aos 18 anos. Isso porque o prefeito só pode ter trabalhado de carteira assinada neste período: entre 2000 e 2015 e entre 2020 e 2022, momentos em que ele não detinha cargos eletivos ou públicos.
A trajetória profissional de Abilio
Formado tardiamente em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Cuiabá (Unic), aos 28 anos, em 2012, Abilio trabalhou como designer de publicações digitais. Era um profissional com poucos clientes, mas tinha um cliente em especial: a Igreja Assembleia de Deus, liderada pelo seu avô, o pastor Sebastião Rodrigues de Souza, falecido em 2020.
Entre 2010 e 2015, Abilio trabalhou com diagramações de jornais da igreja, panfletos e outras publicações. No período, Abilio estava atrelado à empresa Íris Design, registrada em nome de sua esposa, a vereadora e agora deputada estadual eleita Samantha Íris (PL). Não é possível afirmar se, neste período de cinco anos, Brunini trabalhou de carteira assinada para a própria esposa.
Entre os raros clientes de Abilio para além da igreja, consta uma organização não-governamental, a Operação Amazônia Nativa (Opan), para quem Brunini diagramou panfletos e relatórios entre 2011 e 2013. A organização indigenista, com valores adversos aos proferidos pelo atual prefeito de Cuiabá, foi a principal contratante para além da igreja evangélica neste período.
Brunini também ingressou tardiamente na universidade, aos 22 anos, em 2006, quando iniciou a graduação na Unic. Antes disso, em 2005, o nome dele consta entre candidatos de vestibular na Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat), campus Barra do Bugres, quando foi reprovado com nota 0 por faltar à prova. A publicação sobre a colocação de Abilio saiu do ar após questionamentos da reportagem do site PNB Online.

Trabalho no governo Taques
Em 2015, em seu primeiro emprego público, Abilio permaneceu de julho de 2015 até janeiro de 2016, quando foi exonerado do cargo de chefia que ocupava na Secid.
De acordo com informações obtidas pelo PNB Online, Abilio foi escolhido para cargo na Secid, no governo Pedro Taques (PSB), por indicação do seu avô, o pastor Sebastião. Além de Abilio, a sua companheira, Samantha Íris, também trabalhou no governo Taques, por indicação do pastor.
A função do prefeito era atuar na Agência de Desenvolvimento do Vale do Rio Cuiabá. Samantha, por outro lado, era uma assessora que atuava na Casa Civil. O governo Taques abrigou Abilio por menos de um ano. A relação empregatícia foi interrompida depois que o prefeito se envolveu em brigas e discussões na secretaria.
Currículo curto e pouca experiência
De acordo com o currículo Lattes publicado pelo prefeito, Abilio teria feito especialização em Gestão em Trânsito e Transporte com Ênfase em Mobilidade pela União Educacional de Brasília (Uneb) entre 2013 e 2014.
A partir de 2016, quando é eleito vereador, Abilio passa a se comprometer totalmente ao trabalho de político, deixando completamente para trás o seu curto período como trabalhador CLT.
Em 2017, rompe com o então prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), em razão de nomeações solicitadas por ele que não foram atendidas. E a partir de então passa a atuar na oposição, tornando-se o principal opositor de Emanuel.
Em 2020, lança-se candidato a prefeito e sai derrotado, no segundo turno, por uma pequena diferença de votos. Em 2022, é eleito deputado federal, período em que passou a ser conhecido nacionalmente, com um lado da política o admirando e outro criticando-o severamente.
Em 2024, Brunini finalmente consegue se eleger prefeito, ao derrotar Lúdio Cabral (PT) no segundo turno. Em seu segundo ano de mandato como prefeito, Abilio acumula mais de 10 anos de atuação em cargos públicos, sendo essa a sua principal e única fonte de renda.





















