A gestão do prefeito de Cuiabá Abilio Brunini (PL) deixou uma unidade do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) sem água em Cuiabá, problema que se arrastou por dois dias, de acordo com informações recebidas nesta sexta-feira (30) site de notícias PNBONLINE
A falta de água na unidade do CRAS do bairro Doutor Fábio tem prejudicado o trabalho de servidores e foi alvo de reclamação apresentada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cuiabá (Sispumc) no mês passado, no dia 10 de setembro. O ofício encaminhado pelo Sispumc não teve resposta da Prefeitura.
Um vídeo recebido pela reportagem mostra a indignação de uma pessoa que esteve no local, que mostrou como a falta de água afeta o cotidiano dos trabalhadores e dos cidadãos que são atendidos no local.
Além da falta de água, o Sispumc denuncia que os servidores do CRAS do Doutor Fábio sofrem com assédio moral e metas abusivas de trabalho. No ofício assinado pelo presidente da entidade, Renaudt Tedesco, existem relatos de problemas gerais que vão além do CRAS do Doutor Fábio e incluem relatos graves sobre a rotina de trabalho vivida nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), Centros Especializados (CREAS), Centro POP, albergues e unidades de acolhimento de Cuiabá.
Segundo o sindicato, a gestão estaria cobrando um volume de atendimentos incompatível com a jornada e a complexidade do trabalho socioassistencial. Enquanto a referência técnica do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) recomenda de 30 a 45 minutos por usuário para garantir uma escuta qualificada, os profissionais alegam estarem sendo forçados a realizar atendimentos “em série”, sem tempo para registro, análise dos casos ou pausas adequadas.
O Sispumc destaca que os cidadãos atendidos nesses locais vivem situações de extrema vulnerabilidade, como violência, situação de rua, dependência química e rompimento de vínculos familiares, demandas que exigem atendimento individualizado e humanizado.
De acordo com o relato formalizado, servidores que prestam atendimento detalhado ficam expostos a advertências informais, constrangimentos públicos e ameaças veladas de transferência ou alteração de escala. O sindicato adverte que a transferência do déficit estrutural da prefeitura para a cobrança individual dos profissionais configura assédio moral institucional e coloca em risco a saúde física e mental dos trabalhadores, gerando quadros de ansiedade e esgotamento.
A denúncia foi despachada pela secretária de Assistência Social, Hélida Vilela de Oliveira, para a Assessoria Jurídica (Assejur). Em Comunicação Interna (CI nº 365/2026), a Assejur solicitou esclarecimentos pormenorizados sobre os fluxos de trabalho e dimensionamento das equipes para subsidiar a resposta ao sindicato e avaliar o envio dos autos à Corregedoria.
Outro lado
Em nota, a Prefeitura de Cuiabá informou que a situação foi regularizada e que servidores não foram obrigados a permanecer na unidade. A Prefeitura não comentou as denúncias de assédio moral. Confira abaixo a nota:
A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, informa que a situação de falta de água na unidade do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Dr. Fábio foi regularizada e o abastecimento já foi restabelecido.
Assim que tomou conhecimento do problema, na quarta-feira (29), a Secretaria acionou a concessionária Águas Cuiabá, que encaminhou um caminhão-pipa à unidade no período da tarde para regularizar o abastecimento.
A Secretaria esclarece que os servidores não foram obrigados a permanecer na unidade sem água. Após a solicitação, foi realizado um revezamento para garantir a presença de, pelo menos, um gerente e um técnico no local, com o objetivo de orientar os usuários que procurassem atendimento. A medida também considerou a proximidade do feriado, já que a unidade permaneceria fechada na sexta-feira e na segunda-feira.
A liberação dos demais servidores ficou condicionada ao posicionamento da concessionária sobre o restabelecimento do abastecimento, para que a gestão pudesse avaliar a situação e garantir a continuidade dos serviços à população.




















